Autor: Cristiane Lisbôa
Editora: Memória Visual
Edição: 1
ISBN: 9788589617024
Ano: 2006
Páginas: 104
Sugestão de onde comprar: Submarino, Livraria Cultura, Livraria Saraiva
Comadres, boa noite!
À partir de hoje, começarei a postar resenhas que tenho prontinhas, engavetadas, e resenhas de livros que estarei lendo posteriormente, ok? Espero que gostem!
Pra começar, trago este, que foi um presente de uma amiga muito querida, a Mila.
"Querida, em seu cartão você desejou que esse livro alegrasse a minha casa e a minha mesa. Nem imagina o quanto ele fez por nós! Bjs e obrigada sempre! Deus abençoe! Saudades de você, querida..."
Por se tratar de cartas, as tais "cartas culinárias", o livro é dividido em capítulos curtos, o que torna a leitura bastante agradável, leve. Tem uma excelente diagramação e uma capa e contra-capa que traduz toda a sua delicadeza.
Emoldurado por uma linguagem poética e espirituosa, trata-se de um livro delicado, mesclando receitas culinárias com os eventos mais adversos que se passam com a personagem central.
Antônia derrama seus sentimentos, suas sensações, nas cartas que escreve para sua bisa, Ana.
Esta obra é a tradução perfeita do quanto os alimentos, a comida em si e os sentimentos se fundem profundamente.
Sinopse (vide orelha do livro):
Este Papel-manteiga não forra fôrmas, sequer se deixa descansar nele a cobertura do bombom. Esse papiro é compatível com a língua, a física e a falada, pode-se embrulhar nele sabores factíveis e ficcionais. Livros que receitam são tão íntimos quanto o amor.
Receitas são letras e não o bolo em si, a bandeja. Porque palavras se transformam em bolo se você quiser. Eis um romance permeado por receitas até para quem não tem fogão. Cozinhe e faça a sesta, uma vez que as cartas/capítulos deste romance levam o leitor ao sombreiro que a boa literatura traz aos bons de prato.
Ingredientes unidos por Tatiana Damberg, em alquímica sabedoria, encontram seu cozimento nas graças de Cristiane Lisbôa, que faz literatura até com miolo de pão. A forma como se escolhe os ingredientes, como se perfuma as panelas e se deixa cozer as carnes foi, é, e sempre será misteriosa para quem a faz, imagine para quem a lê. Tem em mãos um romance epistolar, receitas solares e madrigais. Alcance uma poltrona e dispense o guardanapo.
Ninguém está olhando.
(Andréa del Fuego)
"Estou em alguma parte do mapa. Não posso dizer qual, pelos motivos que nós duas sabemos. Espero eu, e imagino, espera a senhora, que estejamos fazendo a coisa certa."
É assim que Antônia, a personagem central, inicia a primeira carta escrita à sua bisa, logo que chega à casa/restaurante onde se instalará para estudar culinária.
O livro todo mostra o quanto Antônia tenta driblar a acidez da senhorita Virgínia, sua professora de culinária e aquela que faz questão de não "deixá-la sair da realidade".
É um livro composto mais por receitas salgadas do que doces, o que nos leva a considerar que isso talvez seja resultado de seu estado de ânimo. À cada repreensão da senhorita Virgínia, Antônia se sente fragilizada, mas não a ponto de desistir de seu objetivo. E à cada receita aprendida, é uma carta enviada.
Em suma, Antônia aprende a duras penas a sutil diferença entre a culinária e a comida. É quando ela, finalmente, entende o porquê de a Senhorita Virgínia ter horror à livros de receitas. Muito mais do que se preocupar em eleger ingredientes refinados, por exemplo, ela busca "colocar a mão na massa" e ir harmonizando-os, testando texturas, sabores... É uma maneira toda instintiva de cozinhar. E especial! E diferenciada!
Suas receitas podem, facilmente, ser interpretadas como saborosas e como "comida que alimenta, satisfaz".
Coalhada Seca (escolhi esta receita para quem adoraria aprender, como eu!)
Ingredientes:
1 litro de leite
1 copo de 200ml de iogurte natural
1 colher de sobremesa de leite em pó
Preparo:
Coloque o leite e o iogurte em uma panela grossa e leve ao fogo alto. Quando levantar fervura, desligue e espere esfriar até que você consiga confortavelmente colocar o dedo lá dentro. Misture o leite em pó, cubra a panela com um pano grosso(pode ser toalha) e deixe descansar dentro do forno (desligado!) até a manhã seguinte. Acomode a pasta sobre um pano limpo, pendure em um lugar alto e deixe escorrer.
Bom apetite!
Por mais que eu, ao contrário da Senhorita Virgínia, ame os livros de receitas e afins, assim como ela também me preocupo em harmonizar sabores e preparar pratos saborosos e que alimentem bem a minha família.
Esse livro me fez ver o ato de cozinhar sob um novo ângulo. Um ângulo muito mais agradável! Um ângulo que vai muito além do separar os ingredientes e preparar o prato - existe todo um momento especial em que você se entrega ao preparo de suas refeições; de repente uma música tocando ao fundo; folhinhas de tomilho fresco mergulhado num copo com água aguardando para se juntar à outros ingredientes para ir ao forno, para o preparo de batatas gratinadas... Apaixonante!
Confesso que, à princípio, foi a capa que me atraiu, já que sou bastante visual. Então, li a sinopse. Daí pensei: "Eu quero esse livro pra mim!"
Papel Manteiga para Embrulhar Segredos: Cartas Culinárias, simplesmente, foi o responsável por eu, de repente, me ver completamente apaixonada pela chama Literatura Gastronômica!
Às comadres que desejam receitas saborosas, diferenciadas e fáceis de fazer, e, sobretudo, que estejam dispostas a se deliciarem com essa proposta do "cozinhar poeticamente", recomendadíssimo!!!
Experimentem e depois me contem!
Cristiane Lisbôa (a autora) tem 24 anos, não sabe cozinhar e lançou outros dois livros: Pequenos pedaços soltos de histórias de amor às vezes verdadeiras - Editora FinaFlor, 2012 - e Deles e quase o resto - Editora FinaFlor 2004.
Tatiana Damberg (preparou as receitas) é gastrônoma por vocação, desde pequena, quando acompanhava o pai à feira e decorava as tortas de sua mãe. Edita o já conhecido site http://www.mixirica.com.br
Comadres, o que me dizem: já leram? O que acharam?
Boa leitura!
Bjs literários!
Karin Filgueira








